Notícias  
A eterna Cecília Meireles
 

Segundo depoimento da própria Cecília, “minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão. Essa foi sempre a área de minha vida. Área mágica, onde os caleidoscópios inventaram fabulosos mundos geométricos, onde os relógios revelaram o segredo do seu mecanismo, e as bonecas o jogo do seu olhar. Mais tarde foi nessa área que os livros se abriram, e deixaram sair suas realidades e seus sonhos, em combinação tão harmoniosa que até hoje não compreendo como se possa estabelecer uma separação entre esses dois tempos de vida, unidos como os fios de um pano."

Freqüentou a Escola Normal no Rio de Janeiro, entre os anos de 1913 e 1916.Como professora, estudou línguas, literatura, música, folclore e teoria educacional. Aos 18 anos de idade publicou seu primeiro livro de poesias (Espectro, 1919), um conjunto de sonetossimbolistas. Embora vivesse sob a influência do Modernismo, apresentava ainda, em sua obra, heranças do Simbolismo e técnicas do Classicismo, Gongorismo, Romantismo, Parnasianismo, Realismo e Surrealismo, razão pela qual a sua poesia é considerada atemporal.

No ano de 1922 se casou com o pintor português Fernando Correia Dias com quem teve três filhas. Seu marido, que sofria de depressão aguda, suicidou-se em 1935. Voltou a se casar, no ano de 1940, quando se uniu ao professor e engenheiro agrônomo Heitor Vinícius da Silveira Grilo.
Publica, em Lisboa - Portugal, o ensaio "O Espírito Vitorioso", uma apologia do Simbolismo. Em 1934, organiza a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro, ao dirigir o Centro Infantil, que funcionou durante quatro anos no antigo Pavilhão Mourisco, no bairro de Botafogo. Profere, em Lisboa e Coimbra - Portugal, conferências sobre Literatura Brasileira. De 1935 a 1938, leciona Literatura Luso-Brasileira e de Técnica e Crítica Literária, na Universidade do Distrito Federal (hoje UFRJ). Publica, em Lisboa - Portugal, o ensaio "Batuque, Samba e Macumba", com ilustrações de sua autoria.

A concessão do Prêmio de Poesia Olavo Bilac, pela Academia Brasileira de Letras, ao seu livro Viagem, em 1939, resultou de animados debates, que tornaram manifesta a alta qualidade de sua poesia. Publica, em 1939/1940, em Lisboa - Portugal, em capítulos, "Olhinhos de Gato" na revista "Ocidente".

Em 1940, leciona Literatura e Cultura Brasileira na Universidade do Texas (USA). Em 1942, torna-se sócia honorária do Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro (RJ). Aposenta-se em 1951 como diretora de escola, porém continua a trabalhar, como produtora e redatora de programas culturais, na Rádio Ministério da Educação, no Rio de Janeiro (RJ).

Há uma rua com o seu nome em São Domingos de Benfica, uma freguesia da cidade de Lisboa. Na cidade de Ponta Delgada, capital do arquipélago dos Açores, há uma avenida com o nome da escritora, que era neta de açorianos.

Traduziu peças teatrais de Federico Garcia Lorca, Rabindranath Tagore, Rainer Rilke e Virginia Wolf. Sua poesia, traduzida para o espanhol, francês, italiano, inglês, alemão, húngaro, hindu e urdu, e musicada por Alceu Bocchino, Luis Cosme, Letícia Figueiredo, Ênio Freitas, Camargo Guarnieri, Francisco Mingnone, Lamartine Babo, Bacharat, Norman Frazer, Ernest Widma e Fagner.

Obras da autora

• Espectros, 1919
• Criança, meu amor, 1923
• Nunca mais..., 1924
• Poema dos Poemas, 1923
• Baladas para El-Rei, 1925
• Batuque, samba e Macumba, 1933
• O Espírito Vitorioso, 1935
• Viagem, 1939
• Vaga Música, 1942
• Poetas Novos de Portugal, 1944
• Mar Absoluto, 1945
• Rute e Alberto, 1945
• Rui — Pequena História de uma Grande Vida, 1948
• Retrato Natural, 1949
• Problemas de Literatura Infantil, 1950
• Amor em Leonoreta, 1952
• Doze Noturnos de Holanda e o Aeronauta, 1952
• Romanceiro da Inconfidência, 1953
• Poemas Escritos na Índia, 1953
• Pequeno Oratório de Santa Clara, 1955
• Pistóia, Cemitério Militar Brasileiro, 1955
• Panorama Folclórico de Açores, 1955
• Canções, 1956
• Giroflê, Giroflá, 1956
• Romance de Santa Cecília, 1957
• A Bíblia na Literatura Brasileira, 1957
• A Rosa, 1957
• Obra Poética,1958
• Metal Rosicler, 1960
• Antologia Poética, 1963
• Solombra, 1963
• Ou Isto ou Aquilo, 1964
• Escolha o Seu Sonho, 1964
• Crônica Trovada da Cidade de San Sebastian do Rio de Janeiro, 1965
• O Menino Atrasado, 1966
• Poésie (versão francesa), 1967
• Obra em Prosa - 6 Volumes - Rio de Janeiro, 1998

"...Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda..."

(Romanceiro da Inconfidência)

 
« Voltar