“Todo homem tem deveres com a comunidade”

Declaração Universal dos Direitos do Homem

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Fé e Esperança neste período difícil, enfatiza Dr. Magno

Acostumado às tradicionais manifestações culturais da comunidade portuguesa local, o Estado de São Paulo, assiste hoje à drástica redução de atividades desse grupo. Segue a entrevista.

De acordo com dados da Comissão Nacional de Eleições (CNE) de Portugal, atualizados em março deste ano, o estado de São Paulo concentra 132.712 cidadãos portugueses recenseados. Somente na cidade de São Paulo, segundo levantamento recente do Observatório de Turismo e Eventos (OTE), órgão ligado à São Paulo Turismo (SPTuris), a comunidade portuguesa conta com 100.855 membros, o que faz com que os portugueses sejam a “comunidade estrangeira com o maior número de representantes” nessa cidade brasileira.

Como resultado dessa concentração de portugueses, o Estado de São Paulo contabiliza 58 associações representativas de várias regiões de Portugal, que promovem as tradições lusitanas.

Em virtude do cenário de isolamento social, determinado pelas autoridades de São Paulo, as associações portuguesas e luso-brasileiras instaladas nesse estado brasileiro vivem, atualmente, grandes mudanças, que motivaram o cancelamento de eventos, o adiamento de cerimônias e a suspensão de atividades, muitas delas “obrigatórias e habituais” no calendário oficial dessas entidades.

Em entrevista à reportagem do Mundo Lusíada, Manuel Magno Alves, presidente do Conselho da Comunidade Luso-Brasileira do Estado de São Paulo (CCLB), falou sobre os prejuízos causados às associações pelo ambiente de combate à covid-19, avaliou as ações dessas mesmas associações, explicou a modificação na agenda oficial do órgão, reforçou ser necessário enfrentar esse período com “fé” e ressaltou o papel da entidade pela qual é responsável.

Como o Conselho da Comunidade Luso-Brasileira do Estado de São Paulo (CCLB) está a enxergar este momento de pandemia, tendo em vista o público que representa?

• Vemos este evento com muita preocupação, tendo-se em vista que a nossa comunidade, na sua grande maioria, é composta por pessoas da terceira idade, grupo de maior risco, segundo as autoridades sanitárias.

Como as entidades luso-brasileiras em São Paulo estão a reagir a essa situação? Apurei que a maioria das entidades, senão todas, estão com as suas atividades suspensas. Certo? Muitos projetos foram cancelados?

• Sim, todos os eventos que aconteceriam até o mês de junho próximo foram cancelados, bem como as reuniões das casas associadas (sessões solenes, homenagens, almoços, jantares, datas de aniversário etc.), exatamente para não expor os integrantes da comunidade e em atendimento às determinações das nossas autoridades.

Acredita que esse momento pode, de alguma forma, interferir na continuidade das ações e dos trabalhos dessas entidades, em termos financeiros? 

• Tão logo esta situação se normalize as associações voltarão a fazer as suas ações, sem dúvida alguma, até porque essas ações são uma das formas das associações arrecadarem recursos para a sua continuidade.

Que ações o Conselho prevê como forma de mitigar os prejuízos financeiros, institucionais e culturais das entidades causados pela pandemia?

• Penso que, financeiramente, os componentes das associações estão se mobilizando para cumprir o mínimo de compromissos de cada uma delas. Institucional e culturalmente, os prejuízos são irreversíveis, pois não poderemos comemorar as datas nacionais em dias e meses diferentes do calendário oficial. Entretanto, a nossa comunidade e as autoridades estão cientes de que, tanto quanto possível, tudo será feito para retomar os nossos eventos, festas, aniversários e datas nacionais, com muito mais vigor.

Como serão tratadas este ano datas comemorativas importantes, como o Dia de Portugal?

• Infelizmente, não poderemos tratar como sempre, com sessões solenes, homenagens a pessoas que se destacaram no ano passado, presença de várias autoridades etc. Buscaremos levar uma mensagem à comunidade ressaltando a data e desejando que possamos voltar à normalidade brevemente. Recentemente, foi reeleito.

O que espera do seu novo mandato? Este cenário de pandemia traz grandes desafios, não?

• Neste novo mandato buscaremos implantar mais algumas das metas que foram definidas no planejamento estratégico que formulamos há dois anos, tendo algumas já atingidas e muitas a atingir. Naturalmente, o cenário atual fará com que estas metas possam ser atingidas em prazo maior do que inicialmente previsto.

Como avalia a comunidade em São Paulo?

• A nossa comunidade é composta por pessoas maravilhosas, com a presença de grandes empresários, profissionais liberais de elevado nível, autoridades do judiciário e comerciantes, entre tantos outros. Comunidade pujante e solidária, que não hesita em apoiar e ajudar as causas sérias e justas que lhe são apresentadas.

Para quem não conhece, quais são os objetivos do CCLB?

• Tem como objetivo principal atuar em defesa dos interesses das entidades de representação da comunidade luso-brasileira, mantendo o reconhecimento nacional e internacional do movimento luso-brasileiro, bem como definir, propor e defender as leis e outras normas que atendam ao melhor interesse dessa comunidade. Também congregar as Associações Portuguesas e Luso-Brasileiras do Estado de São Paulo, defendendo os seus interesses junto às autoridades portuguesas e brasileiras, preservando e representando o movimento associativo em todas as atividades socioculturais, científicas e empresariais, vinculadas a este movimento. Defender, difundir e conservar os valores históricos, artísticos e culturais do Brasil e de Portugal, promovendo eventos e estudos de problemas relacionados com a comunidade, bem como estimular, apoiar e ajudar as iniciativas das associações filiadas que estejam em conformidade com as finalidades e objetivos estatutários do CCLB.

Qual é o vosso papel no seio da comunidade luso-brasileira em São Paulo?

• Propor ações administrativas ou judiciais em defesa dos interesses e valores históricos e culturais da comunidade luso-brasileira do Estado de São Paulo, bem como do seu movimento associativo, buscando, ao fim e ao cabo, promover a ética, a paz, a cidadania, os direitos humanos, a democracia e outros valores universais.

Quantos associados têm?

• O Conselho tem hoje pouco mais de 400 associados, entre pessoas físicas (maioria) e jurídicas.

Por fim, que mensagem deixa para a comunidade luso-brasileira?

• A mensagem, neste momento difícil, é de fé e de esperança, de que possamos todos passar por ele com saúde, com paz e tranquilidade, procurando cumprir as determinações das autoridades sanitárias e buscando aproveitar o aconchego da família nos seus lares. Vai passar e todos voltaremos melhores.

Nosso Conselho informa que na sequência da alteração legislativa introduzida pela Portaria n.º 23/2021, de 28 de janeiro, que define a Medida de Apoio ao Regresso de Emigrantes a Portugal, no âmbito do Programa Regressar, destacam-se as seguintes alterações:
Foi o primeiro escritor de língua portuguesa a viver exclusivamente dos seus escritos literários. Romancista, cronista, crítico, dramaturgo, historiador, poeta e tradutor, Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco nasceu em 16 de março de 1825 em Lisboa e morreu em junho de 1890 em São Miguel de Seide. Esta é uma homenagem do nosso Conselho que sempre enaltece as grandes figuras do cenário português.
Boas notícias para o mercado português: as exportações de vinhos sobem 3,2% para 846 milhões de euros em 2020 impulsionadas pelo Brasil. Este bom cenário parece não ter sido afetado pela pandemia e inclusive registrou subidas na ordem dos 26,9% no Reino Unido, 26,5% no Brasil e 13,5% nos EUA em termos de volume.
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Somos privilegiados pela herança lusitana e também por podermos contar com o Conselho da Comunidade Luso-Brasileira do Estado de São Paulo que é o órgão que congrega nossa cultura viva em solo paulista. Pelo Conselho a história não se perde, porque uma das diretrizes da entidade é preservar e valorizar nossos usos e costumes que mantêm a tradição de nossa gente sempre presente nos festivais, no folclore, na música e na gastronomia. A ação do Conselho é defender um legado histórico e cultural inestimável.

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