“Todo homem tem deveres com a comunidade”

Declaração Universal dos Direitos do Homem

NOTÍCIAS
O eterno Fernando Pessoa

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

Fernando Pessoa/Bernardo Soares

O crítico literário Harold Bloom considerou a sua obra um “legado da língua portuguesa ao mundo”. Por ter vivido a maior parte de sua adolescência na África do Sul, a língua inglesa também possui destaque em sua vida, com Pessoa traduzindo, escrevendo, trabalhando e estudando no idioma. Teve uma vida discreta, em que atuou no jornalismo, na publicidade, no comércio e, principalmente, na literatura, onde se desdobrou em várias outras personalidades conhecidas como heterônimos. A figura enigmática em que se tornou movimenta grande parte dos estudos sobre as suas vida e obra, além do fato de ser o centro irradiador da heteronímia, autodenominando o autor um “drama em gente”.

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Nasceu em Lisboa, em junho e de 1888 e faleceu, também em Lisboa, em novembro de 1935 de cirrose hepática aos 47 anos na mesma cidade onde nasceu, tendo a sua última frase sido escrita na língua inglesa: “I know not “I what tomorrow will bring.” (“Não sei o que o amanhã trará”).


Na verdade, uma biografia de Fernando Pessoa seria na verdade uma coleção de biografias. Uma dele próprio; outras tantas para seus heterônimos. Alberto Caeiro, Álvaro de Campo, Ricardo Reis, Bernardo Soares, só para falar em alguns destes heterônimos, que não são pseudônimos com alguns pensam, mas escritores com personalidades e estilos próprios, com vida e história independentes dos demais. A genialidade de Pessoa era tamanha que não cabia em um só homem; eram necessários vários homens, várias cabeças para dar vazão a tanta criatividade, ao transbordamento de idéias que o acometia. Grande conhecedor da língua portuguesa, ele própria brincou com seu sobrenome: Pessoa. Talvez Pessoas fosse mais adequado, para um poeta que era habitado por tantos outros.

Fernando Pessoa foi morar, ainda na infância, na cidade de Durban (África do Sul), onde seu pai tornou-se cônsul. Neste país teve contato com a língua e literatura inglesa. Adulto, Fernando Pessoa trabalhou como tradutor técnico, publicando seus primeiros poemas em inglês. Em 1905, retornou sozinho para Lisboa e, no ano seguinte, matriculou-se no Curso Superior de Letras. Porém, abandonou o curso um ano depois.

Passou, então, a ter contato mais efetivo com a literatura portuguesa, principalmente Padre Antônio Vieira e Cesário Verde. Foi também influenciado pelos estudos filosóficos de Nietzsche e Schopenhauer. Recebeu também influências do simbolismo francês.

Pessoa nunca se casou. Teve por algum tempo um namoro com Ophélia Queiroz, mas acabou por desistir para dedicar-se à literatura. Embora tenha escrito e publicado dezenas de artigos, ensaios e poemas em seus anos de vida, ele publicou apenas um livro em vida intitulado “Mensagens” em 1934.

Enquanto não atravessarmos
a dor de nossa própria solidão,
continuaremos
a nos buscar em outras metades.
Para viver a dois, antes, é
necessário ser um.

Eis o ortônimo e os heterônimos de Fernando Pessoa. O poeta usou em suas obras diversas autorias. Usou seu próprio nome (ortônimo) para assinar várias obras e pseudônimos (heterônimos) para assinar outras. Os heterônimos de Fernando Pessoa tinham personalidade própria e características literárias diferenciadas. São eles:

Álvaro de Campos
Era um engenheiro português de educação inglesa. Influenciado pelo simbolismo e futurismo, apresentava um certo niilismo em suas obras.

Ricardo Reis
Era um médico que escrevia suas obras com simetria e harmonia. O bucolismo estava presente em suas poesias. Era um defensor da monarquia e demonstrava grande interesse pela cultura latina.

Alberto Caeiro
Com uma formação educacional simples (apenas o primário), este heterônimo fazia poesias de forma simples, direta e concreta. Suas obras estão reunidas em Poemas Completos de Alberto Caeiro.

Dentre outros, de menor expressão, destaca-se ainda o semi-heterônimo Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros que sempre viveu sozinho em Lisboa e revela, no seu Livro do Desassossego, uma lucidez extrema na análise e na capacidade de exploração da alma humana.

Quero para mim o espírito desta frase,
transformada a forma para a casar com o que eu sou:
Viver não é necessário; o que é necessário é criar.

Vale dizer que o cantor brasileiro Caetano Veloso compôs a canção “Língua”, em que existe um trecho inspirado num artigo de Fernando Pessoa sobre o tema “A minha pátria é a língua portuguesa”. O trecho é: A língua é minha Pátria / E eu não tenho Pátria: tenho mátria / Eu quero frátria. Já o compositor Tom Jobim transformou o poema O Tejo é mais Belo em música. Identicamente, Vitor Ramil, cuja música “Noite de São João” tem como letra a poesia de Alberto Caeiro. A cantora Dulce Pontes musicalizou o poema O Infante. O grupo Secos e Molhados musicalizou a poesia “Não, não digas nada”. Os portugueses Moonspell cantam no tema Opium um trecho da obra Opiário de Álvaro de Campos. O cantor Renato Braz traz no seu CD “Outro Quilombo” duas poesias musicadas: “Segue o teu destino”, de Ricardo Reis, e “Na ribeira deste rio”, de Fernando Pessoa.

Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia.

'São Pedro, o guarda do céu / Ao ver Sacadura e o Gago / Gritou-lhes, correndo o véu / - Aqui não há lugar vago // Os heróis agradeceram / Num gesto meigo e gentil / E satisfeitos tocaram / O avião rumo ao Brasil!' - *Tópico final do poema em homenagem aos lusitanos Gago Coutinho e Sacadura Cabral recitado em uma reunião cultural promovida em Porto Seguro, Bahia.
O Projeto Reviver é uma importante iniciativa do Conselho da Comunidade Luso-Brasileira do Estado de São Paulo – CCLB, que envolve uma exposição fotográfica dos idosos do Lar da Provedoria, com o apoio do Ministério dos Negócios Estrangeiros. A inauguração, na Casa de Portugal SP, está marcada para o dia 13 de maio, sexta-feira, às 18 horas até às 22 horas. Permanecerá aberta também no sábado, 14 de maio, das 10 às 17 horas.
De acordo com a Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas (DGLAB), a participação portuguesa nesta bienal contará com uma comitiva de cerca de duas dezenas de autores portugueses e do universo da lusofonia, e ainda dos ‘chefs’ Vítor Sobral e André Magalhães. Na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que decorrerá de dois a 10 de julho, a presença de Portugal vai acontecer sob o mote “É urgente viver encantado”, uma frase do escritor Valter Hugo Mãe.
Patrocinadores:
Premium
São Critóvão
Silver
BBR
Apoio:
Apoio
Conselho da Comunidade Luso-Brasileira do Estado de São Paulo
Edifício "Casa de Portugal" Av. Liberdade, 602 - São Paulo/SP - Cep 01502-001 - Celular/WhatsApp +55 (11) 94513-0350 - Telefones +55 (11) 3342-2241 e (11) 3209-5270
www.cclb.org.br - cclb@cclb.org.br - Entidade de Utilidade Pública - Lei Estadual 6.624 de 20/12/1989 - Jornalista responsável: Maristela Bignardi - MTb. 10.204

Somos privilegiados pela herança lusitana e também por podermos contar com o Conselho da Comunidade Luso-Brasileira do Estado de São Paulo que é o órgão que congrega nossa cultura viva em solo paulista. Pelo Conselho a história não se perde, porque uma das diretrizes da entidade é preservar e valorizar nossos usos e costumes que mantêm a tradição de nossa gente sempre presente nos festivais, no folclore, na música e na gastronomia. A ação do Conselho é defender um legado histórico e cultural inestimável.

Este site usa cookies. Os cookies neste site são usados ​​para personalizar o conteúdo, fornecer recursos de mídia social e analisar o tráfego. Além disso, compartilhamos informações sobre o uso do site com nossos parceiros de mídia social, publicidade e análise da web, que podem combiná-las com outras informações que você forneceu a eles ou que eles coletaram do uso de seus serviços.
Concordo