“A candidatura de Óbidos é, acima de tudo, um desafio e uma oportunidade para lançar o debate e promover esta reflexão sobre qual é o papel da cultura no desenvolvimento, não só de Portugal, mas acima de tudo do território de Óbidos”, disse à agência Lusa o vereador com o pelouro da Cultura na Câmara de Óbidos, Ricardo Duque.
“Fazer da cultura, e em particular da literatura, uma verdadeira política pública, um exemplo para o país e também um exemplo para a Europa”. É o principal objetivo da candidatura que deverá ser entregue em agosto e que pretende demonstrar como “a partir da literatura se conseguem transformar políticas públicas, valorizar os territórios, combater as desigualdades, reforçar hábitos de leitura e, acima de tudo, qualificar a democracia”, disse o vereador.
“Óbidos já é, por si só, um exemplo quando investe cerca de 20% do seu orçamento municipal na área cultural”, acrescentou Duque, sublinhando que o município concorre a Capital Portuguesa da Cultura com “uma proposta de investimento transformadora para o país”. Cidade Criativa da UNESCO na área da Literatura desde 2015 e palco de dois festivais anuais de literatura (Folio e Latitudes) Óbidos aposta da literatura e na língua portuguesa como a principal linha da candidatura que propõe a criação de um Centro Internacional da Literatura e do Conhecimento.
Integrará igualmente um Centro de Internacionalização da Língua Portuguesa, dedicado à tradução, à diplomacia cultural, à formação, à investigação e à circulação de autores e criadores dos países da CPLP.
Num comunicado em que anuncia a candidatura, a Câmara de Óbidos sustenta que a sua visão “encontra eco num conjunto de algumas das mais relevantes vozes da Literatura e da Cultura contemporâneas, que aceitaram associar-se a esta candidatura enquanto seus embaixadores”.
Entre eles contam-se a jornalista e presidente da Fundação José Saramago, Pilar del Rio, e os escritores Mia Couto (Moçambique), José Luís Peixoto, Gonçalo M. Tavares, José Eduardo Agualusa (Angola), Afonso Cruz, Dulce Maria Cardoso, Valter Hugo Mãe e Tatiana Salem Levy (Brasil).
O projeto da Capital Portuguesa da Cultura foi anunciado em dezembro de 2022 pelo então ministro da Cultura, Pedro Adão e Silva. A primeira edição teve lugar em Aveiro em 2024, a segunda em Braga, em 2025, e Ponta Delgada, cidade da ilha de São Miguel, este ano.
O prazo de candidatura decorre durante 150 dias, a partir de 30 de abril, e a cidade vencedora será conhecida a 09 de dezembro de 2026. À semelhança das edições anteriores, a Capital Portuguesa da Cultura contará com uma dotação financeira estatal de um milhão de euros.
Fontes: Lusa e Mundo Lusíada