
Empresário. Nascido no Porto, de coração arouquense e criado em padaria.
São mais de 40 anos de experiência na panificação, engenheiro civil pela FEI e bacharel em direito de formação, sócio proprietário da Munhoz Padaria em Guarulhos- SP, integrante da diretoria do “SAMPAPÃO” como Diretor Financeiro da “Associação dos Industriais de Panificação e confeitaria de São Paulo” (AIPAN) e Membro do Conselho Fiscal do “Conselho da Comunidades Luso-Brasileira do Estado de São Paulo”.
Um grande entusiasta e promotor da comunidade arouquense e do Arouca São Paulo Clube.
O Eterno Imigrante: Portugal no coração, Brasil na alma
Nasci em Portugal, mas foi no Brasil que aprendi a ser quem sou. Cresci entre sotaques diversos, sabores tropicais e a hospitalidade calorosa que só o povo brasileiro sabe oferecer. Carrego comigo memórias de duas grandes nações: o fado, as ruas estreitas do Porto, o aroma das sardinhas na brasa e o sopro salgado do Atlântico; mas também a vivência de um país que me acolheu e me ensinou a olhar para o mundo com alegria e esperança.
A relação entre Brasil e Portugal, para mim, nunca foi apenas histórica ou política. É uma relação de sangue, de cultura e de afeto. Portugal trouxe ao Brasil seu maior tesouro — a Língua Portuguesa — juntamente com sua culinária e seus costumes. O Brasil, por sua vez, não apenas devolveu, mas aprimorou esse legado com cores, ritmos e uma energia que transforma qualquer tradição em algo vivo e único. Eu cresci nesse encontro de mundos: comendo bacalhau no Arouca São Paulo Clube, feijoada aos sábados, ouvindo histórias de navegadores e de heróis esquecidos — como Pedro Teixeira, português que desbravou a Amazônia e ajudou a consolidar o território que hoje reconhecemos como Brasil —, cantando Roberto Leal, batendo palmas ao rancho folclórico da minha aldeia e assistindo aos desfiles de carnaval.
Ser português no Brasil é viver em constante diálogo entre passado e presente. É sentir orgulho das raízes, mas também reconhecer que o Brasil reinventou a herança portuguesa, dando-lhe novas formas e significados. É perceber que, apesar das diferenças, existe uma ponte invisível que une os dois povos — uma ponte feita de saudade, amizade e respeito mútuo. Há um potencial imenso nessa ligação, e é preciso despertá-lo, para que o Brasil leve novamente o espírito de glória de Dom Sebastião pelo Atlântico.
E talvez essa ponte seja também o meu destino pessoal: o de ser sempre o eterno imigrante. No Brasil, sou o português — aquele que carrega o sotaque, as histórias e a saudade de Arouca (conhecida como a Capital do Mundo). Em Portugal, sou o brasileiro — aquele que traz consigo a alegria, a música e a leveza aprendidas do outro lado do Atlântico. Vivo nesse entrelugar, nesse espaço de trânsito, onde nunca sou apenas um, mas sempre os dois. E é justamente nessa condição de fronteira que encontro minha verdadeira identidade.
Hoje, quando penso na relação Brasil–Portugal, penso na minha história: um imigrante que encontrou no Brasil não apenas um lar, mas também uma identidade única, que mistura o rigor da tradição portuguesa com a leveza da brasilidade. Essa fusão é, talvez, o maior símbolo da ligação entre os dois países: uma história que começou há séculos e que continua viva em cada pessoa que, como eu, carrega Portugal no coração e o Brasil na alma.