“Todo homem tem deveres com a comunidade”

Declaração Universal dos Direitos do Homem

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Natural de Niterói – RJ, é bacharel em música pela UNI-RIO, Pós-graduado em Canto pela Faculdade de Música Carlos Gomes, de São Paulo e Especialista em Gestão Cultural pelo Centro Universitário Senac. Especializou-se em instrumentos de cordas dedilhadas barrocas – guitarra barroca e teorba – pelo Núcleo de Música Antiga da EMESP.

Seu interesse em especial pela música portuguesa do passado e seus desdobramentos na formação da identidade cultural brasileira o levaram a formar em 2000 a Capela Ultramarina, conjunto que se dedica à execução historicamente informada da música portuguesa e ibérica do passado. Em 2005 participou das “VIII jornadas Internacionais – Escola de Música da Sé de Évora” em Portugal. Com a Capela Ultramarina participou do circuito Sesi de Música nos anos de 2015 e 2016, com concertos em várias cidades do Estado de São Paulo. Em 2016 foi um dos grupos convidados pelo Festival UFF de Música Antiga, promovido pela Universidade Federal Fluminense.

Desde 2000 é integrante do Coro da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Atualmente é um dos integrantes da Comissão Artística da Fundação OSESP. No período de 2004 a 2013, colaborou regularmente como cantor e instrumentista, com o conjunto Audi Coelum. Com este grupo participou dos seguintes concertos: Antiennes “O” de l’Avent, de Charpentier (2004), Paixão segundo S. Marcos, de Reinhard Keiser (2008), Lamentationes de Jeremiae Prophete, de Orlando de Lassus (2008), Messe des Morts, de Andre Campra (2009), “In Natividade Domini” (2009) e Vespro della Beata Vergine, de Claudio Monteverdi (2010) e “Fontana d’Israel”, J. H. Schein (2013). Participou como teorbista da Montagem da Opera “Dido & Aeneas”, de Purcell, com a Cia Minaz, de Ribeirão Preto (2013 e 2016) e, em 2017 do Oratório barroco “Juditha Triumphans”, de Antonio Vivaldi, sob direção de Ricardo Kanji, no Theatro São Pedro.

Atua na área de gestão de projetos culturais e é, desde 2005, coordenador de projetos culturais da Escola de Música de Jundiaí. É Diretor Artístico Assistente da Orquestra Municipal de Jundiaí, desde sua implementação em 2010, tendo participação na realização de todas suas Temporadas de Concertos (2011 a 2017).

Fábio Vianna Peres
Integrante do Coro da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e um dos integrantes da Comissão Artística da Fundação OSESP

A presença da cultura portuguesa no Brasil é tão profunda que nos passa desapercebida na maior parte do tempo. Praticamente todo brasileiro tem algum antepassado que atravessou o Atlântico vindo de Portugal em busca de uma nova vida por aqui. Para aqueles que conservam laços familiares mais próximos, essa presença é uma constante clara e inquestionável. Para outros que, como eu, tem suas origens em antepassados um pouco mais distantes, esses traços marcantes ficam como que ocultos. Lembro de ouvir desde muito cedo sobre como um bisavô meu veio ainda criança junto da família, isso em 1880, da Ilha da Madeira.

Eram lavradores na Freguesia do Curral das Freiras, nome capaz de atiçar a imaginação de qualquer criança. Fora uma ou outra estória, pouco se falava dessa origem já um pouco remota. Sua presença se manifestava mais nos hábitos alimentares, no bacalhau, nos doces, nas rabanadas…

Para mim, o verdadeiro descobrimento de Portugal aconteceu no ano 2000, quando comemorava-se os 500 anos do Descobrimento do lado de cá pelos portugueses. Como músico que já se dedicava há algum tempo à pesquisa e interpretação da Música Antiga – termo que serve para designar a música europeia feita desde a idade média até o período barroco – resolvi montar um concerto todo dedicado à música que os portugueses faziam na época das grandes navegações. Naquele momento, já conhecia bem o repertório de origem espanhola conservado em cancioneiros como o de Palácio e Upsala, mas pouco sabia sobre a produção mais específica de Portugal.

Após alguma pesquisa descobri que, de música que não fosse sacra e litúrgica, havia apenas quatro cancioneiros de origem portuguesa que lograram sobreviver até os nossos dias. E, para minha surpresa, ao começar o estudo das edições disponíveis, descobri que a maior parte do repertório havia sido escrita sobre textos em língua espanhola! Apenas cerca de 20% das músicas tinha textos em português. O caminho natural foi o de selecionar meu repertório entre essas peças cantadas em português. Descobri que naqueles documentos tão remotos encontrava-se a raiz de uma das mais preciosas características que compartilhamos: o “cantar em português”.

Pode parecer algo óbvio, mas a língua portuguesa nos dá uma capacidade de expressão que é única no mundo. Sentimos as coisas como sentimos por pensarmos em português. Nesse percurso lá se vão quase vinte anos e desde então nunca mais abandonei esse repertório. Revisito-o seguidamente e através dele fui descobrindo o quanto de português havia em mim.

Foi também esse percurso que me trouxe até o Conselho da Comunidade Luso – Brasileira do Estado de São Paulo. O CCLB representa não só o ponto de convergência das muitas Associações diretamente ligadas à grande comunidade de origem lusa em São Paulo, mas também representa o estreitamento entre a comunidade que tem sua origem mais vívida e todos aqueles que, como eu, vão aos poucos se redescobrindo em sua origem lusitana. A valorização desses laços culturais luso-brasileiros é de vital importância num momento em que Portugal figura como uma das mais promissoras nações europeias.

Temos muito a descobrir em Portugal, não só suas paisagens incríveis, sua cultura, seus vinhos e gastronomia, mas também um país que se destaca pela educação de qualidade, pelo empreendedorismo inovador e por instituições políticas que muito tem a nos ensinar no momento que vivemos por aqui. Que o CCLB siga a fortalecer esses laços que nos unem de lado a lado do Atlântico!

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Somos privilegiados pela herança lusitana e também por podermos contar com o Conselho da Comunidade Luso-Brasileira do Estado de São Paulo que é o órgão que congrega nossa cultura viva em solo paulista. Pelo Conselho a história não se perde, porque uma das diretrizes da entidade é preservar e valorizar nossos usos e costumes que mantêm a tradição de nossa gente sempre presente nos festivais, no folclore, na música e na gastronomia. A ação do Conselho é defender um legado histórico e cultural inestimável.

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